domingo, 29 de maio de 2011

Render-se à verdade, sejam quais forem as conseqüências

Busca, demanda, negação (e outros passatempos)

Sydney, Austrália ~ Encontro público – 19 de novembro de 2005

Há o que chamo “uma experiência essencial”, um momento em que há uma mudança de consciência. E é essencial porque até este momento, toda conversa sobre ser “verdadeiro” ou “vigilante” ou “dizer a verdade” é abstrata, como algo que aprendes na escola. Nada disso pode ter um significado concreto em tua vida até que tenhas tido essa experiência. Com essa mudança de consciência, o que não era conhecido é visto de repente. E esse reconhecimento é uma sorte para toda uma vida. É uma bênção para toda a vida. É a graça que chega. A graça que estava encoberta aparece nesse momento.

O reconhecimento é o princípio. Pode ser o fim da identificação errônea. Pode ser o final. Mas, para a maioria dos seres humanos normais, é o princípio. Somos tão viciados no poder da mente que normalmente o que ocorre logo depois da experiência é um pensamento: “Como posso conservá-lo” ou “Não pode ser tão simples” ou “Nunca perderei isso”. Qualquer que seja o pensamento, é seguido por outro. E eventualmente os pensamentos conduzem a: “Bom, o que aconteceu? Aconteceu? O que é real?”. Então há esse sentimento de estar “perdido”. E a busca começa de novo, a busca no exterior. Ou há o pensamento: “Lembro o que fiz. Enfrentei minha emoção. Penetrei em meu medo. O farei agora e voltará. Conseguirei que volte de novo.” Esta é a mesma busca, porém agora estás utilizando um movimento interno para ir ao exterior. Converte-se em um exercício, um processo, algo a fazer para conseguir o que és. E pode parecer funcionar meia dúzia de vezes. Mas põe-se a perder, porque está baseado em uma mentira: ainda estás tentando conseguir o que és. Não podes “conseguir” o que és. Isto está claro?

Não podes conseguir o que és. Para conseguir algo, tem de haver um “tu” e um “ele”. E tu o alcanças e o “consegues”. Como consegues o que és? Quê vais alcançar? E não podes “entender” o que és. Podes ler as palavras “sou a Verdade, sou consciência” e isso pode fazer com que te sintas bem. Podes vibrar com isso. Podes cantar. Faz-te sentir bem. Podes rezar por isso. Podes ler sobre grandes santos e sábios. Faz-te sentir bem, é uma ajuda, e não há nada de mal nisso tudo. Porém, finalmente, tem de haver uma disposição para ser quem és. E para a maioria das pessoas é absolutamente aterrorizante. Porque a maioria crê que é a pior coisa imaginável: uma criatura de imperfeição, carência, feiúra e estupidez. Inclusive, se há uma capa de conhecimento superior ou de inteligência, embaixo disso está a crença de que és complicado, feio, irredimível, uma alma perdida e separada de Deus. Concordas? Tens que saber isto.

Toda nossa atividade é uma tentativa de escapar disso. Inclusive depois do “momento essencial”, o esforço por escapar continua: tentando conseguir que o momento volte, reclamando-o para poder conservá-lo. Tudo isso é alimentado por uma profunda crença entrincheirada de que és algo feio, impossível de amar, que está separado de Deus. E nunca trabalhas duro o bastante, nem és bom o bastante para reunificar-te.

Assim é que este é o dilema. Esta crença oculta, em conflito com o enorme, cósmico, anseio de descobrir quem és realmente. E a vida espiritual freqüentemente se converte em uma vida de tortura, de autotortura. Essa batalha entre o ego e o superego, entre o ser mais “elevado” e o mais “baixo”, entre o eu e o Eu, é somente para evitar a feiúra que crês que és tu mesmo.

Lembro que uma vez lendo a Trungpa (um mestre espiritual), dizia: “Nem sequer incentives teus amigos a entrar na vida espiritual; é uma vida dura”. E a maioria de nós entramos nela de forma muito casual ou despreocupada, com a idéia de isso nos fará felizes para sempre. Mas então algo te pega pelo pescoço e diz: “para aqui, diz a verdade, encara a verdade, seja tu mesmo”.

Assim é que os convido a estarem dispostos a ser pegos pelo pescoço, a estar contra o solo até que se rendam à Verdade sejam quais forem as conseqüências. Preparados? Não estariam aqui se não estivessem. Porque já descobriram que a investigação em vossa verdade não lhes dará grandes poderes ou riquezas, ou felicidade. De fato, não lhes oferece nada. Tudo se lhes tira; tudo o que tenham acumulado, tudo o que tenham aprendido. Tudo o que tenham armazenado se revela como vazio, como uma ilusão que os mantêm longe de si mesmos. Isso é radical. É extremamente sério. É algo alegre, algo simples. Mas não é para o coração temeroso. É necessário um grande valor, porque tudo em nós, tudo em nosso condicionamento diz: “Não, não. Não vás aí. Não toques nisso. Não o faças.” E ainda assim, quando alcanças um certo grau de anseio, tudo em tua vida está dizendo: “Tens que fazê-lo, tens que descobrir a verdade, tens que saber, tens que ser a verdade.” E então verás onde está sua lealdade, onde está sua atenção.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Dizer não é necessário

Ser gentil não significa negligenciar suas próprias necessidades!

O desejo dos outros é sempre uma ordem? Você esquece suas próprias necessidades para satisfazer a dos outros? Cede mesmo quando é por algo que lhe incomoda ou não lhe faz feliz? Então, antes que se sinta sobrecarregado e a insatisfação tome conta do seu peito, está na hora de você conhecer algumas essências florais que vão fortalecer sua vontade própria.

Ser gentil, solidário, prestativo, amigo e companheiro é muito bacana. Mas não tem nada a ver com negligenciar as próprias necessidades. É possível, sim, fazer coisas boas para outros, mas sem cair na síndrome de ser bonzinho em excesso.

As pessoas agem assim por diversos motivos. Pode ser auto-negação, timidez, submissão, fraqueza, baixa autoestima, passividade. Seja o que for, é preciso descobrir a força que há dentro de si. Fazer tudo pelos outros atrapalha não só o crescimento da própria alma, mas dos outros também."Fazer tudo pelos outros atrapalha não só o crescimento da própria alma, mas dos outros também."

Em outro nível, fazer tudo para agradar pode ser mais que uma negação dos próprios desejos. É também uma maneira de se iludir achando que está sendo amoroso e útil quando, na verdade, a pessoa só quer reconhecimento e aprovação. E, por isto mesmo, um NÃO em momentos apropriados e colocado com firmeza - mas também com amor - pode fazer muito bem a você e às pessoas do seu convívio.

Não destrua suas reservas de energia, alegria, criatividade, amor e tempo além dos seus limites! Confira abaixo florais que ajudam a fortalecer a força de vontade:

Centaury (Bach) - Este floral traz o poder da determinação e ensina a pessoa a dizer NÃO quando é necessário. Transforma a debilidade da vontade em grande capacidade de doação, sensibilidade e bondade, mas vindos de alguém que também reconhece as próprias necessidades e desejos.

Ruta (Minas) - Ideal para pessoas subservientes e tímidas que sucumbem facilmente ao desejo alheio. Muito boa para quem se deixa dominar facilmente, o popular "capacho".

Carolina Arêas

http://www.personare.com.br/revista/voce-hoje/materia/260/dizer-nao-e-necessario

sábado, 21 de maio de 2011

Da hipersensibilidade para a alta sensibilidade

Mensagem de Gerrit Gielen
18 de julho de 2010


TORNANDO-SE O ANJO QUE VOCÊ É

Muitas pessoas são hipersensíveis. Elas não podem suportar barulho, agressão e o ritmo apressado da sociedade moderna.

Geralmente sofrem de distúrbios psicossomáticos e insônia. Aquilo que os outros aceitam como certo, como ir a festas de família, por exemplo, para elas é uma tarefa difícil. Muitas vezes, fazer algo que outras pessoas consideram normal pode ser uma tragédia para elas.

Quando crianças, elas geralmente são mal compreendidas e subestimadas.
Como têm dificuldade para se defenderem e entram facilmente em devaneio, o período escolar é difícil para elas.

Construir uma carreira e tornar-se bem sucedido de acordo com os padrões da sociedade não funciona para essas pessoas. Bem ou mal, elas acabam progredindo, mais ou menos à margem da sociedade, pois participar das atividades predominantes no meio social é, para elas, cansativo e debilitante.

Devido a tudo isto, a auto-imagem dessas pessoas não é das mais positivas; muitas vezes elas se sentem inseguras e inferiores. Seus pensamentos são sombrios e podem se repetir indefinidamente.

É lógico que esta imagem é um tanto exagerada. Entretanto, muitas pessoas se reconhecerão parcialmente nesta descrição.

Vamos agora focalizar alguns dos traços positivos das pessoas hipersensíveis.

Elas apreciam a paz e a serenidade e anseiam por viver em harmonia com seus companheiros humanos. São sensíveis à beleza, especialmente a da natureza. São muito empáticas e abertas à espiritualidade. Possuem uma imaginação muito rica. Para surpresa delas mesmas, pessoas que estão em dificuldades são naturalmente atraídas a elas e lhes pedem conselhos.

O que acontece com essas pessoas?

A resposta é que elas não são apenas hipersensíveis, elas são altamente sensíveis. De fato, elas são anjos disfarçados.

O QUE É ALTA SENSIBILIDADE?

Todos os seres vivos emitem uma certa vibração ou aura: as flores, o sol, as pessoas, os animais, as plantas, e inclusive a sociedade humana como um todo. Você é altamente sensível quando a sua vibração, a sua aura, é mais refinada e delicada do que a vibração da sociedade humana.

Imagine um anjo radiante e belo descendo do Céu para nascer num corpo humano, numa metrópole moderna. Este anjo tem dificuldade para lidar com o barulho, o caos e a feiúra do mundo à sua volta.

Onde está a serenidade e a beleza da natureza?
Onde estão as flores?
Onde está o conhecimento interior profundo, o sentido de unidade com o cosmos?

O anjo se sente frustrado e hostilizado. O mundo ao seu redor não o alimenta nem o reconhece.

O anjo começa a pensar que há algo de errado com ele e torna-se triste e deprimido. Como não se sente à vontade aqui, ele se recolhe e anseia vagamente por uma outra realidade. As pessoas à sua volta consideram-no um sonhador que não quer encarar os fatos da vida.

A luz do anjo diminui. E ele, que no começo era altamente sensível, se torna hipersensível.

VOCÊ PODE SE PERGUNTAR POR QUE ESSE ANJO ENCARNOU NA TERRA.

Muitos anjos estão encarnados na Terra e cada anjo tem seu próprio motivo para estar aqui.

Mas existe um motivo geral: para ajudar a Terra.

Através da presença de todos esses anjos, a sociedade humana como um todo adquire mais luz e sensibilidade. A presença angélica eleva a vibração do mundo. Isto acontece especialmente quando os anjos se lembram quem são e quando sua autoconfiança é restaurada.

É então que a luz deles realmente brilha!

AGORA IMAGINE QUE VOCÊ É ESSE ANJO

O que você pode fazer para se tornar radiante outra vez, para transformar sua hipersensibilidade em alta sensibilidade?

1o PASSO – RECONHEÇA QUE VOCÊ É UM ANJO.

Reconheça que você é um anjo e não tenha medo de mostrá-lo.
Acredite na sua própria luz, nas suas capacidades criativas e supere seu medo de se expor.

Este é o primeiro passo.

Como fazer isto?

É importante conectar-se com a espiritualidade. Veja o mundo de uma perspectiva espiritual, lembre-se do reino atemporal de amor e beleza de onde você veio e ao qual pertence. Você sempre esteve em contato com essa realidade sutil, etérica.

Agora dê mais um salto e acredite realmente que ele existe. No momento em que se conecta com ele, você também se conecta com sua própria essência interior e começa a perceber quem você realmente é. Você se lembra que sua consciência é eterna e que é uma fonte magnífica de luz e criatividade.

No momento em que se sente parte desse outro reino, que é o seu verdadeiro lar, o julgamento da sociedade humana a seu respeito torna-se muito menos pesado para você.

Você compreende que sua estadia aqui é apenas temporária e que um dia esta sociedade frenética e caótica desaparecerá e dará lugar a uma sociedade mais pacífica, harmoniosa e feliz.

O que a sociedade atual pensa de você e espera de você não é mais tão importante. O mais importante é o que você veio fazer aqui, como você vai manifestar a sua luz neste mundo.

Ao compreender e sentir a sua verdadeira origem, você acende sua própria luz.

A luz é criativa e transformadora. Você percebe que o ambiente ao seu redor começa a lhe responder de maneira diferente. A vida flui com mais facilidade e as pessoas o levam mais a sério. Você deu um primeiro passo fundamental na transição da hipersensibilidade para a alta sensibilidade.

2o PASSO – CONSCIENTIZE-SE DA SUA ENERGIA MASCULINA

Você só é capaz de doar verdadeiramente a sua luz aos outros,
se também for capaz de não doá-la.

Se você não consegue dizer “não” para as pessoas, o seu “sim” não tem nenhum sentido.

Aprender a estabelecer limites e se defender é essencial. Se não fizer isto, sua energia fluirá por um poço sem fundo e você se sentirá permanentemente fraco e esgotado.

Para impedir que isto aconteça, você precisa entrar em contato com a sua energia masculina.

Muitas pessoas que estão voltadas para a espiritualidade possuem uma imagem negativa da energia masculina, associando-a com violência, opressão e agressividade e considerando-a não espiritual. Como resultado desta atitude negativa diante da energia masculina, muitas pessoas voltadas para a espiritualidade e hipersensíveis sentem-se privadas do seu poder e incapazes de se defenderem.

A solução é entender que não há nada de errado com a energia masculina em si; o que causa problemas é o desequilíbrio entre o masculino e o feminino.

Ao enxergarem a energia masculina como inferior, muitas pessoas debilitam a sua própria força. Isto acontece particularmente com as mulheres sensíveis. Se você está passando por um processo de crescimento espiritual, é especialmente importante que se conecte com sua energia masculina.

Logo que der o 1o PASSO e se tornar mais consciente de quem realmente é, você começará a se distinguir energeticamente do seu ambiente. Sua luz será notada.

Isto atrairá para você o que eu chamo de sanguessuga de energia.

São pessoas ou outras entidades, como por exemplo a empresa onde você trabalha, que se alimentarão da sua energia. Elas o despojam da sua energia sem lhe dar nada em troca. Se você não for capaz de se proteger num ambiente como esse, estará em apuros.

Nesse ponto, você precisa usar a sua força masculina. Acolha a sua parte masculina, o seu homem interior, e confie nele. Deixe que ele tome a forma de uma espada na sua mão, que rompe os vínculos entre você e tudo que o priva da sua energia.

Uma armadilha comum na utilização eficiente da espada da sua energia masculina é o conceito de igualdade: “Somos todos iguais, portanto eu não deveria me distinguir dos outros e deveria compartilhar o que tenho com eles.”

A idéia de igualdade está correta até certo ponto.
No nível da alma nós somos iguais.
Entretanto, no nível da manifestação, não somos.

Algumas pessoas são mais capazes de deixar sua luz interior brilhar do que outras.

Quando não reconhecemos isto, deixamos o campo aberto para as sanguessugas de energia.

As pessoas, em especial, que irradiam muita luz e têm muito para dar, deveriam se proteger.

Esteja atento e perceba para quem ou para o que você dá a sua energia.
Nem todos estão prontos para receber o que você tem para oferecer.

Não deixe que a sua dádiva mais preciosa seja consumida por pessoas ou organizações que não condizem com a sua vibração. Use sua energia masculina para este propósito.

3o PASSO – RECONHEÇA QUE A MÃE TERRA É SUA AMIGA

Muitas pessoas hipersensíveis têm uma certa resistência a viver na Terra.
Essa resistência se deve, em parte, ao fato de elas não se sentirem à vontade na sociedade ocidental moderna.

A energia da sociedade não se afina com a delas e elas se sentem hostilizadas por ela e querem ir embora.

Inconscientemente, elas se lembram da sua herança espiritual e anseiam por voltar ao “lar”. Querem voltar à paz e à harmonia dos reinos celestes, que contrastam tão profundamente com o barulho, o medo, a agressividade e o anonimato da sociedade humana atual.

Além desta razão de sentirem resistência a viver na Terra, as pessoas sensíveis também têm intuições sobre o que aconteceu em suas vidas anteriores neste planeta. Geralmente carregam lembranças de guerra, perseguição e outras formas de agressão. Elas se lembram de terem tentado ser boas e fazer o bem na Terra e terem sido violentamente rejeitadas por isso.

Para superar sua resistência a estar aqui, é importante diferenciar a energia da sociedade humana da energia da Terra em si.

Para fazer isto, encontre um lugar bonito na natureza. Vá lá num final de semana, quando ele estiver tranquilo. Sinta a energia desse lugar, sinta a serenidade e a paz.

Abra o seu coração para esse lugar na natureza e sinta todas as energias lá presentes. Além de você, existem espíritos da natureza, como fadas e duendes que trabalham em conjunto com a Terra. Agora sinta a própria Terra. Esta é a Terra para a qual você veio, a Terra que deseja se aproximar de você e quer ampará-lo. Abra o seu coração para a energia e o amor dela.

Entrando nessa conexão com a Terra, você é capaz de assumir verdadeiramente o seu lugar aqui e irradiar sua luz neste mundo.

Você pode mudar o mundo e torná-lo mais bonito. Existe um lugar para você na Terra onde se sentirá em casa. Este lugar se tornará um farol de luz que transformará o mundo ao seu redor.

PESSOAS HIPERSENSÍVEIS SE ESCONDEM DO MUNDO.

PESSOAS ALTAMENTE SENSÍVEIS IRRADIAM LIVREMENTE SUA LUZ NO MUNDO.


4º PASSO – USE SUA ENERGIA FEMININA PARA SE TORNAR AINDA MAIS SENSÍVEL.

Sua energia feminina pode fazer a diferença entre ter medo de alguém e amar alguém. Ela o capacita a olhar por trás da máscara que a pessoa está usando e enxergar sua vulnerabilidade.

Em nossos corações, somos todos bons. Deus está no coração de todo mundo.

Você pode usar sua energia feminina para se tornar ainda mais sensível, de modo a usar sua empatia para realmente entender o que é estar na pele de outra pessoa. Perceber o outro desta maneira pode ajudar você a compreender as observações e comportamentos ofensivos dele. Pode ajudar você a liberar tudo isso.

Isto se torna possível quando sua energia interna masculina é suficientemente forte para proteger seu lado feminino.

Quando ficamos magoados com algo que outra pessoa falou para nós, geralmente não nos magoamos com as palavras em si, mas com a nossa própria interpretação exageradamente sensível dessas palavras.

Muitas vezes as pessoas não têm a intenção de nos ferir, o que geralmente acontece é que elas deixam escapar alguma coisa que não era dirigida a nós pessoalmente. Sua energia masculina pode ajudá-lo a não se ofender, a não tomar as coisas tão pessoalmente. Sua energia feminina pode ajudá-lo a sentir o que realmente está acontecendo no interior da outra pessoa.

Ao usar o dom feminino da sensibilidade, podemos ver muitas luzes neste mundo escuro à nossa volta. Tornando-nos mais sensíveis, damos um passo na direção do coração dos nossos companheiros humanos, que geralmente é muito mais carinhoso e luminoso do que pensávamos.

Quando percebemos a luz no coração do outro, esta luz brilhará mais forte.

Tornando-se ainda mais sensível, você não apenas adquire uma percepção mais profunda de quem a outra pessoa é, mas ela também passa a conhecê-lo melhor. Ela sente algo sensível, carinhoso e belo em você, que ela não tinha percebido antes.

Quando você reconhece o outro, ele reconhece você.
É assim que você começa a se sentir em casa na Terra.

SER UM ANJO É ESTAR EQUILIBRADO

Todo ser humano dá e recebe.

Para permanecer espiritual e fisicamente saudável, precisamos estar em equilíbrio com o meio em que vivemos. O fluxo de doação e o fluxo de recebimento devem estar em equilíbrio.

No momento em que irradiamos mais da nossa luz, fazemos a transição da hipersensibilidade para a alta sensibilidade. Então nos tornamos o anjo que somos e o fluxo de doar aumenta. Nós emitimos uma luz linda e criativa e a compartilhamos com o nosso ambiente, geralmente sem sabê-lo. A energia que doamos ao mundo quer voltar para nós, na forma de abundância física.

Isto causa problemas em muitos sensitivos. A pessoa hipersensível geralmente não acredita que a vida possa ser bela, rica e abundante para ela, pois sente que isso não seria justo, que ela não merece isso, e assim bloqueia o fluxo de recebimento que quer vir até ela.

As tradições religiosas, que ensinam que é melhor dar do que receber, ou que é pecado ter prazer, apóiam esta linha de pensamento. O medo e a dúvida afastam a abundância natural que deseja vir para o seu caminho.

Esteja atento a isto.

Verifique se você está realmente aberto ao que o universo gostaria de lhe dar, a todo o amor que está aí para você. Enquanto não disser “sim’ para o que o universo quer lhe enviar, você não terá verdadeiramente dito “sim” para si mesmo.

Diga um “sim” sonoro e amoroso para si mesmo.

Então o fluxo de recebimento na sua vida se tornará natural para você.

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Tradução de Vera Corrêa
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

A verdadeira comunicação

Um convite a desenvolvermos um nível de diálogo que se alimenta daquilo que existe de mais essencial em nossos seres. Assim é o texto escrito a quatro mãos pelo casal de terapeutas norte-americanos Stephen e Ondrea Levine.

Comunicar é ultrapassar nossas fronteiras. Na melhor das hipóteses, é tentar transmitir o coração. Senão, pelo menos tentar entender.

Uma vez que todas as pessoas parecem nascer com sutilezas perceptivas inerentes a suas personalidades – ou ao que chamamos Karma – naturalmente surgem equívocos entre “realidades” assim diferentes. Quando isso ocorre, a comunicação torna-se uma mediadora, uma tentativa de compreensão enviada por um pombo-correio por sobre as muralhas da fortaleza.

Achamos que o fosso de nossa pretensa indiferença nos protegerá, mas nossos castelos estão em chamas. E, em nossa confusão, tentamos esconder a fumaça em vez de apagar o fogo. Muito de nossa “comunicação” é uma tentativa de controlar o fogo. Grande parte disso advém do medo de que o outro nos veja como tememos ser na verdade: confusos e espertos, misteriosos e afetados, egoístas, irritados, indignos de confiança. Tememos compartilhar nossa mágoa, tão pequena é a parte de nós que se entregou à restauração. Pesamos nossas palavras. Ninguém diz exatamente o que quer dizer. Tentamos comprar amor com tons melodiosos, como um gato esfregando-se, a ronronar, em nossas canelas.

A maioria usa a linguagem como uma pessoa cega usa uma bengala: para liberar o caminho à frente, um tipo de sonar emocional para testar segurança do terreno. Reagindo tanto ao tom quanto ao significado. A fala, para a maioria, não é tanto uma forma de comunicação, mas uma proclamação do eu, uma delimitação de território, o cheiro da urina nos arbustos para mostrar a quem vier depois quem esteve lá primeiro. É uma declaração de domínio. Afastar-se alguns passos, levantar a perna, filosofar.

Acolhendo o outro

Mas a verdadeira comunicação vem de uma poderosa disposição de não proteger a si mesmo ou de se estar sempre certo. Vem de um anseio pela verdade, por doloroso que isso às vezes possa parecer. Vem da percepção direta. De uma grande atenção ao proceso, vem de uma capacidade crescente de revelar bloqueios e de acolher esse outro único como ele é.

A comunicação, como próprio relacionamento, é a arte do espaço. É um senso de oportunidade e uma exploração contínua da intenção de comunicar. É um questionamento profundo daquilo que, na verdade, comunica.

Está escrito que, ao lhe perguntarem sobre as práticas aceitáveis de alimentação, Jesus disse: “Não se preocupem com o que lhes entra na boca, mas com o que sai dela”. Talvez ele tenha reconhecido que, em ambos os casos, com freqüência estamos mais entorpecidos de boca aberta. Uma porção enorme do que passa por comunicação não é muito mais que resmungos durante o sono. É raro estarmos tão mecanicamente ou inconcientes como quando contamos a alguém quem pensamos ser.

Para a mente pequena, a comunicação conserva o mundo organizado e mantém seus horizontes. Para a mente ampla, a comunicação é o que conecta o coração com o desalentado, sem coração. Para a mente pequena, a comunicação leva você aonde quiser. Para o grande coração, a comunicação é a capacidade de estar em comunhão com o próprio existir.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Vivencie Diretamente as Emoções

"As perguntas que me fazem com mais freqüência referem-se às emoções. Muita gente procura livrar-se de emoções difíceis como raiva, medo e mágoa, e buscam emoções mais agradáveis como alegria, felicidade e êxtase. As estratégias comuns para obter felicidade envolvem tanto a repressão como a expressão das emoções negativas na esperança de serem tiradas de vista ou descartadas. Infelizmente, nenhuma dessas estratégias reflete a verdade do nosso eu inerente, que é uma inabalável pureza de ser, que existe mais fundo do que qualquer emoção e permanece inalterada por qualquer emoção.

Certamente há momentos em que é adequado reprimir ou expressar uma emoção. Mas há também uma outra possibilidade: nem reprimir nem expressar. Chamo a isso de “vivência direta”.

Vivenciar diretamente uma emoção não é negá-la nem chafurdar nela, e isso significa que pode não existir nenhuma história dela. Pode não existir um enredo sobre com quem ela está acontecendo, por que está acontecendo, por que não deveria estar acontecendo, quem é responsável ou a quem se deve culpar.

Em meio a qualquer emoção, supostamente “negativa” ou “positiva”, é impossível descobrir-se o que está no âmago. A verdade é que, quando você realmente vivencia uma emoção negativa, ela desaparece. E quando você verdadeiramente vivencia uma emoção positiva, ela cresce e é interminável. Portanto, relativamente, há emoções negativas e positivas, mas sob investigação, só há positivas: eis a positividade que é a consciência absoluta. Como na nossa cultura não há muito que confirme esta revelação espantosa, passamos nossas vidas em busca de emoções positivas e fugindo das emoções negativas.

Quando você experimenta completamente uma emoção negativa, sem história, ela cessa de existir instantaneamente. Se você achar que está vivenciando completamente uma emoção e ela continuar bastante intensa, então reconheça que ainda há alguma história que se está contando sobre ela – como ela é grande, como enfim você conseguirá se livrar dela, como ela sempre volta, como é perigoso vivenciá-la. Qualquer que seja a história do momento, são infinitas as possibilidades de adiamento da vivência direta.

Por exemplo, quando você está irritado, a tendência comum é fazer algo para livrar-se da irritação ou colocar a culpa em si mesmo, em alguém ou em alguma outra coisa como causa da irritação. Então, começam a se desenvolver os roteiros da irritação. Na verdade, é possível não se fazer nada com a irritação, não a arredar da consciência ou tentar livrar-se dela, mas vivenciá-la diretamente. No momento em que surge a irritação, é possível simplesmente ficar completa, total e livremente irritado, sem expressá-la ou reprimi-la.

Geralmente, a vivência direta revela freqüentemente uma emoção mais profunda. A irritação seja talvez uma ondulação na superfície. Mais fundo do que a irritação pode estar a raiva ou o medo. Mais uma vez, o objetivo é não se livrar da raiva ou do medo nem os analisar, mas vivenciá-los diretamente. Se sob a irritação se revelarem o medo ou a raiva, deixe que a sua consciência se aprofunde; deixe-se estar absoluta e completamente com raiva ou com medo, sem expressar nem reprimir.

O medo freqüentemente é o maior desafio, porque ele é o que habitualmente a maioria das pessoas procura manter afastado. É claro, quanto mais tentam mantê-lo afastado, mais ele aumenta e assombra.

O que estou sugerindo é que você possa abrir-se de verdade para o medo; possa experimentar ficar com medo sem precisar sequer dizer que está com medo e sem seguir nenhum pensamento de estar com medo. Você pode simplesmente vivenciar o medo em si.

Quando falo em vivenciar diretamente o medo, não estou falando do medo fisiologicamente adequado. A resposta ao perigo, à luta ou à fuga fisiológica é natural e própria do organismo humano. Está geneticamente programada no corpo para a sua sobrevivência. Por exemplo, é conveniente sair do caminho de um ônibus que se aproxima. Mas os medos que sugiro sejam diretamente confrontados, por inteiro, do início ao fim, são os medos psicológicos, os medos que mantêm nossa energia desnecessariamente atrelada à proteção e defesa, como o medo da dor emocional ou os medos da perda ou da morte. Quando, ao invés de resistir ou fugir a ele, se acolhe um medo psicológico, este freqüentemente revela uma emoção ainda mais profunda.

Sob o medo pode revelar-se uma profunda tristeza ou mágoa. Isso também pode ser vivenciado direta e completamente sem necessidade de uma historinha. Se você estiver disposto a experimentar essas camadas emocionais até o fim, finalmente deparará com o que parece um abismo profundo. Esse abismo é o que a mente percebe como o nada, o vazio, a vacuidade, o ninguém. Eis um momento importante, pois a vontade de ser absolutamente nada, de ser ninguém, é a vontade de ser livre. Todos esses outros estados emocionais são camadas de defesa contra esta vivência do nada – a morte de quem você acha que é. Uma vez derrubadas as defesas, uma vez aberta a porta, pode-se acolher completamente este nada que foi temido. Esta acolhida é a revelação da verdadeira auto-investigação, que revela a gema secreta da verdade que esteve oculta no âmago do seu próprio coração o tempo todo. O diamante descoberto é você.

Esta é uma descoberta imensa, mas você terá de descobri-lo por si. Se estiver disposto a vivenciar profunda e completamente qualquer estado emocional, você descobrirá no seu núcleo a mesma consciência imaculada que se encontra consigo mesma tanto como vivenciador quanto como vivenciado. Se puder descobrir esta verdade de primeira mão, você será libertado da fuga dos estados supostamente negativos e da busca dos supostamente positivos. Você se libertará tanto da rejeição como do apego ao que é intrinsecamente impermanente. Você estará liberto para verdadeiramente encontrar-se consigo mesmo e regozijar-se nesse encontro.

Qualquer emoção que surja na consciência pode ser completamente acolhida pela consciência, sem precisar esconder-se em histórias ou análise. Na sua disposição de não seguir os mecanismos da mente, mas de apenas ficar quieto e vivenciar qualquer emoção que surja, você verá que ela não é nada. As emoções se mantêm compostas pelo pensamento, quer esse pensamento seja consciente ou inconsciente.

Você tem o poder de parar simplesmente e dizer: “Medo, raiva, mágoa, desespero – tudo bem, venham”. Quando você diz “Tudo bem, venham” e você realmente quer dizer isso mesmo e está verdadeiramente aberto, a emoção não pode vir porque nesse momento você não conta uma história sobre ela. Eu o convido a verificar isso por si mesmo. O medo, a raiva, a mágoa só existem quando vinculados a uma história! Sim, isso é incrível, é simples, porém uma descoberta profunda e enorme! Na verdade você pode reconhecer que aquilo de que você foge, em realidade, finalmente não existe, e aquilo que você procura já está sempre aqui.

Quando Colombo e outros exploradores descobriram o “Novo Mundo”, todos eles voltaram e disseram: “Há muito mais coisas lá fora do que sabemos, a terra não é plana”. Mas muita gente respondeu: “Ah não, eu não vou lá. Os demônios marinhos vão me pegar. Eu vou cair da terra”. É com esse mesmo primitivismo que enxergamos nossas emoções. Se você estiver disposto a cair da beira da terra, verá que você mesmo sustenta a terra e não pode “cair de” si mesmo; só pode se aprofundar mais em si mesmo.

Na extremidade oposta do espectro, particularmente na subcultura espiritual ocidental, as pessoas estão bastante abertas a vivenciar suas emoções, porque isso lhes dá um sentido de profundidade e de liberdade. Mas isso pode se tornar uma capa para o medo de vivenciar qualquer emoção que seja. Definir-se como um ser emocional talvez seja um passo mais profundo do que você se definir como um ser puramente mental, mas assim não se terá percorrido todo o caminho para casa. O que você evita ao definir-se como um ser emocional é a ausência de emoção, o nada, a vacuidade. Uma vez que tenha experimentado a pura vacuidade, você sabe diretamente que quem você é não se pode definir por nenhum estado mental ou emocional, e este saber é liberdade.

Quando você não se define por estados emocionais, as emoções são livres para surgirem, porque elas não significam nada sobre quem você é. Você sabe diretamente que todos os estados simplesmente passam pelo espaço puro que é a sua verdadeira natureza.

Convido-o a percorrer todo o caminho até o coração do puro ser, não para se livrar de alguma emoção, não para dramatizar ou glorificar alguma emoção, mas para descobrir o que cada emoção exige, para morrer para quem você pensa que é antes que morra quem você pensa que é."

Gangaji
The Diamond In Your Pocket
(O Diamante No Seu Bolso)
Cap. 26

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Este Coração Que Explode

Depoimento de Roslyn Moore

Esta história é uma tentativa de falar sobre o realinhamento de uma vida. Sinto que estou em águas perigosas. Por que será que eu, com todas as minhas limitações, quero escrever uma história sobre mim? Será que estou tentando provar algo? Não deveria ficar quieta e voltar minha atenção para a fonte de todas as histórias? O chamado para escrever é forte. Se eu for sincera, talvez a história seja bem-sucedida e sirva para um bem desconhecido. Eu ofereço esta história ao despertar de todos os seres.

Um cliente, com muita persistência, conseguiu me passar dois vídeos de Gangaji. De acordo com a capa de "River of Freedom" [Rio de Liberdade], um documentário sobre Gangaji, ela é uma mulher americana que foi atraída à Índia em 1990, onde recebeu uma transmissão viva de auto-realização de H.W.L Poonja, um satguru iluminado, discípulo de Ramana Maharshi. Ramana é conhecido como um dos maiores seres iluminados de nossa época. Na capa, Gangaji nos convida a descobrir que já somos Isso que estamos procurando.

As palavras eram intrigantes, mas eu nem pensava que estivesse à procura de uma "Gangaji" em minha vida. Entretanto, mais tarde, depois de assistir aos dois vídeos, um após o outro, fiquei completamente estarrecida. A quietude de Gangaji era tão palpável que eu tinha de conhecê-la.

No domingo de Páscoa de 1996, meu marido, Bruce, e eu assistimos a nosso primeiro satsang público. Satsang quer dizer "associação com a verdade", e Gangaji estava oferecendo satsang, uma reunião aberta gratuita, em San Rafael, na Califórnia. Vieram aproximadamente 300 pessoas.

Sentados em almofadas no chão, Bruce e eu estávamos bem perto da frente do salão, onde havia uma plataforma guarnecida de um pequeno sofá branco muito simples, adornada com buquês de flores e fotos de Sri Poonjaji e Sri Ramana Maharshi. Quando vi a foto de Ramana, especulei se era realmente uma coincidência o fato de Gangaji e Ramana estarem conectados. Quantos anos haviam se passado desde que eu vira, pela primeira vez, uma foto de seu rosto tão expressivo, e sentira algo despertar bem dentro de mim? Este ano mesmo, atraída mais pelo seu semblante do que por seus ensinamentos, eu tinha feito uma cópia xerox e emoldurado uma foto sua, que colocara no altar em nosso quarto. Conseguimos um lugar na frente porque chegamos cedo e esperamos muito tempo. A espera tinha sido prazerosa, do lado de fora, onde o frescor da primavera se misturava à antecipação e reverência de todos na fila. Sabia de antemão que iríamos meditar durante uns vinte minutos, e então Gangaji entraria no salão.

O que vi quando Gangaji entrou na sala não fez sentido algum. Ela era uma mulher de cinqüenta e poucos anos, trajando um vestido azul simples e elegante, e um requintado lenço azul e branco nos ombros. Seu rosto forte e belo, habilmente maquiado, era salientado por cabelos cacheados, provavelmente tingidos e com permanente. Atraente, pensei, mas certamente não era o meu tipo. Não era natural o suficiente.

Mas como a amei de imediato, "meu tipo" teve que mudar. Ou, mais precisamente, descobri que o que a minha mente pensava que eu gostava ou não gostava não significava nada. Algo mais fundo dentro de mim estava ressoando com este ser que inspecionava o salão com uma compostura tão genuína, sorria com tanta sinceridade, e exibia um entusiasmo tão jovial que meu coração se enchia de alegria. Como poderia ocultar qualquer coisa desta mulher, cujos olhos encontravam os meus, tão aberta e completamente, com um "sim" ressonante, enquanto eu tentava analisá-la secretamente, sentada no meu lugar?

Misteriosamente, senti-me como se estivesse vendo a minha própria inocência perdida, minha verdadeira face, perfeitamente fresca, refletida diante de mim. Logo após aquele satsang, fui ao meu primeiro retiro silencioso com ela, em Napa, na Califórnia. Na estância hidromineral de White Sulphur Springs, localizada nos bosques úmidos ao longo de um riacho chamado Sulphur Creek, Bruce e eu penetramos profundamente no silêncio. Só falamos uma vez durante os oito dias que estivemos lá, apenas umas poucas palavras, para esclarecer um engano.

Em Santa Helena, fiquei extasiada quando percebi que, quem quer que tenha inventado o ditado "O silêncio é de ouro", não havia sido uma pessoa tapada e antiquada, com o intento de manter as crianças caladas. Esta moralização tão popular no passado estava apontando para a verdade viva. Foi uma bênção descobrir diretamente o "ouro", o inestimável valor do silêncio.

No silêncio do retiro pode-se ver que todo acontecimento, todo pensamento, toda emoção, toda percepção, se origina de uma vasta ausência de som, um espaço aberto que está sempre presente, mas que geralmente passa despercebido.

Uma experiência que tive naquele retiro, que incluía dois satsangs por dia, precisa ser contada. Em um dos satsang matutinos, realmente vi a compaixão de Gangaji. Era óbvio que, com quem quer que ela falasse, Gangaji via diretamente através da personalidade da pessoa. Uma pessoa estava tentando simplesmente fazer a pergunta certa. Eu estava vendo um homem magro que era intelectual demais, tenso demais, demais isto ou aquilo. Raramente não sentia uma afinidade com qualquer pessoa que falasse com Gangaji, e meus julgamentos estavam me perturbando. Enquanto Gangaji mostrava a tensão desnecessária, estava claro que ela estava vendo alguém que era bonito, sincero e merecedor, sem quaisquer qualificações. Em um nível mais profundo, ela via este homem como o seu próprio ser.

Tive que admitir que sempre tivera uma obsessão pela aparência das pessoas. Na sala de jantar, depois daquele satsang, minha obsessão com minha aparência diante dos olhos das outras pessoas também foi vista claramente. Eu queria mudar, mas não sabia como. Depois de anos de luta, reconheci a futilidade de tentar me tornar mais compassível. Lembrando-me da ordem de Gangaji, parei de tentar. Deixei que a discussão interna fosse reabsorvida no silêncio do retiro.

Uma prece espontânea e fervorosa foi articulada mais tarde naquele mesmo dia: "Que eu possa transcender todo apego às aparências." Mais tarde, enquanto caminhava em silêncio pelo riacho, que corria impetuosamente, houve um momento de revelação, que me atravessou como uma golfada de vento.

Um rio de seres havia passado pela minha vida inteira, um fluxo interminável de indivíduos aparecendo na consciência. Eu podia vê-los mergulhando e voltando à tona no rio. De repente, soube (com um saber perfeito) que todos estes seres eram o mesmo ser. Então, da mesma maneira que fui inundada pela alegria de reconhecer isso, tive certeza de que este ser era o meu próprio ser. Meu próprio ser!

Naquele momento, meu coração se expandiu e eu senti que estava pronta para morrer. Filtrado, o pensamento era mais ou menos esse: "Se eu morrer agora, não tem problema, porque agora esta vida valeu a pena ser vivida." Mas, naquele momento, eu morri de verdade. Em um instante, desisti de minha vida inteira, pela verdade que estava sendo revelada.

Quase imediatamente notei um desenvolvimento revoltante. Poucos momentos após a revelação, minha mente começou a tentar imaginar uma maneira de usar esta revelação em benefício próprio. Foi chocante assistir à minha mente tentando diligentemente construir uma auto-imagem melhor, uma imagem à medida de alguém que tivesse tido uma experiência tão elevada.

Durante aquele primeiro retiro, tive a boa sorte de, em muitos momentos, estar consciente de não ser ninguém em particular. Tais momentos foram inesperadamente agradáveis. Foi exatamente como Gangaji tinha prometido. Estar vazia de "mim" não era vivenciado como uma ausência, como eu imaginara, mas como a mais verdadeira alegria. Minha compreensão do funcionamento da minha mente estava crescendo. O ambiente silencioso do retiro me deu a oportunidade de conferir empiricamente a minha mente pensante, e descobri que não podia confiar nela de modo algum. Vi que todo pensamento, por mais esclarecido que fosse, era seguido de outro pensamento, e depois de outro pensamento, e mais outro pensamento. Eu estava vendo o que Ramana viu. Não há nenhum pensamento verdadeiro, com a exceção de um. E esse é "Pare! Fique quieto!" Cerca de seis semanas depois do retiro tive uma experiência profunda de iluminação. Gangaji descreve as experiências de iluminação como experiências que estão em alinhamento com a Verdade Absoluta. Elas são eventos abençoados, a serem lembrados carinhosamente por toda vida. Ainda assim, são apenas experiências, e todas as experiências, ela lembra impiedosamente, vão e vêm.

Bruce e eu fomos a um pequeno satsang em Stinson Beach, em uma sexta-feira. Em um determinado momento, logo depois que começou, de maneira completamente inesperada, Gangaji olhou diretamente para mim e disse: "Você reconheceu a verdade do seu ser. Vejo isto claramente. Isto não pode ser escondido. Você tem uma tendência ou um padrão de autodiminuição. Não sei o que é. Talvez seja alguma crença no seu não-merecimento, ou algum mau uso de poder no passado, ou algo assim. Mas não importa. O que importa é que você percebe a verdade."

"Vou lhe contar o que Papaji me disse quando viu esta mesma autodiminuição em mim." Ela imitou a postura física, deixando cair os ombros e fazendo seu corpo parecer menor e seu rosto parecer estúpido. "Papaji disse:" e voltou à sua postura normal, 'Sem Restrições!' Este é o meu conselho para você. Você entende? Não tente se fazer menor do que o que reconheceu que é verdadeiramente."

Eu fiquei estupefata. Especulei se tinha sido escolhida por engano, dentre uma série de nomes em uma lista. Mas não tão estupefata a ponto de não dizer, mais adiante no satsang: "Gangaji, você tem mais alguma dica para mim sobre a autodiminuição?" Novamente o seu olhar direto: "Não, você entendeu tudo que eu disse perfeitamente." E eu tinha entendido. Só que havia aquela voz de elogio e culpa, tentando diligentemente decidir se o que ela me dissera me elevava, "Você é auto-realizada", ou me diminuía: "Você se vê como alguém sem valor, e agora seus medos estão expostos e todo mundo vai saber que você é insignificante." Que oportunidade para ver minha bagagem, na clareza de sua presença, e deixar que tudo se queimasse.

Nas duas manhãs seguintes, quando acordei no quarto de dormir em Berkeley, vi conscientemente o momento em que minha mente se tornava ativa, como se eu fosse um brinquedo mecânico que tinha sido ligado na tomada. Então, misteriosa e espontaneamente, vi que despertei novamente, mas desta vez estava despertando de tudo o que pensava. Eu me expandi e soube que este fluxo mental não era nada além de um ponto de luz em uma tela. Quem eu sou é um espaço vasto e interminável. Espaço preenchido pela cama, pelo canto dos pássaros, os galhos das árvores do lado de fora da janela, por mim. Eu vejo o espaço aberto e vejo as formas que emergem no espaço, mas não qualquer distinção real entre coisa e não-coisa.

Não há verdadeiramente nenhuma separação. Nenhum aspecto de "mim" está em oposição à vacuidade da qual é feito. Eu não existo. Mais precisamente, eu sou a própria existência. Eu incluo tudo que vejo e tudo que não vejo. Eu não sou limitada pelo surgimento de "mim". O surgimento de "mim" é impregnado de quem eu sou verdadeiramente.

Havia uma alegria e confiança insondáveis, resultantes da percepção direta. O véu tinha sido levantado. Não era mais possível retornar à minha falta de compreensão anterior. O que eu tinha ouvido Gangaji dizer, e o que tinham dito os Grandes Mestres, agora eu sabia que era a verdade. Sem dúvida. Não sabido pela mente, mas conhecido diretamente, por experiência própria.

Mais tarde, uma dúvida surgiu. Eu não duvidava do que tinha visto, mas de que poderia alinhar corretamente a minha vida com a perfeição que tinha sido revelada. De fato, pensei que estava fazendo um trabalho malfeito, e uma espécie de tortura mental se iniciou.

Através de uma graça, eu tinha recebido o presente incomparável de saber a verdade. Será que eu não tinha a responsabilidade monumental de ser um testamento vivo do que recebera? Tendo aceitado a responsabilidade, como poderia estar entretendo este fluxo de humores, pensamentos e emoções que continuavam a aparecer? Em suma, por que eu não era feliz?

Quando já não podia mais suportar a tensão da separação aparente, desabalei-me para um pequeno satsang, para falar com Gangaji sobre isto. A caminho, fui forçada, de uma vez por todas, a ver a inutilidade de tentar entender Isso. Durante a viagem de carro de quatro horas até Stinson Beach, minha mente dava voltas implacavelmente. Eu estava desesperada, queria entender o que estava fazendo de errado. Por fim, tornou-se óbvio que eu não ia entender nada e, finalmente, tornou-se óbvio também que eu estava enlouquecendo com minhas tentativas. Então, por pura necessidade, desisti. Completamente. E então houve paz.

Agora, sempre que percebo que estou dizendo a mim mesma que tenho que entender isto, que é importante entender aquilo, ou que preciso chegar ao fundo de algo mais, este momento é um chamado que me convida a parar. Parar e me render ao que existe neste momento, independente de quaisquer detalhes que minha mente esteja inventando. De repente, e inesperadamente, percebi instantaneamente que tinha uma imagem em minha mente de como é ser feliz. A imagem surgira quando eu era ainda muito jovem e permanecera inalterada. Ao ver uma foto minha aos sete anos, na qual eu estou dando pulinhos de alegria na calçada, com um semblante feliz, só podia mesmo desistir. A aparência de Roslyn, quando se sentia feliz e realizada não podia ser modelada de acordo com uma imagem infantil de felicidade. A imagem era uma obstrução à possibilidade da verdadeira felicidade.

De repente, soube que teria que abandonar todas as imagens que estavam ocultas em meu subconsciente. Mas como? A "Roslyn" não era nada além de uma coleção de fixações: medos e desejos. Este foi um reconhecimento poderoso de como era sério o problema. Não havia escapatória.

Apesar da aparente impossibilidade, ou talvez por causa dela, eu rezei. Fiz um convite de todo o coração, a que todas minhas imagens ocultas se revelassem. Por mais apavorantes que fossem, aonde quer que tivessem sido socadas. Agora tinha a sensação de que estava pronta, de que finalmente sabia o que fazer. Este saber não vinha da minha mente, mas do âmago do meu ser. Eu me casaria com a Verdade. Seria um verdadeiro matrimônio. Minha imperfeição era secundária. Qualquer coisa que surgisse e por mais tempo que levasse, esta relação entre mim e a Verdade permaneceria imutável.

Quando anunciei meu matrimônio no pequeno satsang, Gangaji me disse que tinha esperado por isto, embora não conscientemente. Ao término da reunião, quando os comes-e-bebes foram servidos, ela disse brincando que era hora de servir o bolo de casamento. Umas duas semanas depois do pequeno satsang, comecei a escrever um pequeno relato a Gangaji em minha mente, como freqüentemente fazia naqueles dias. As palavras surgiam espontaneamente. "Amada Gangaji, 'eu' e 'meu' continuam sofrendo, mas eu permaneço intacta." Sim, era isso. Isso descrevia a minha experiência exatamente.

Sentei-me confiante à minha escrivaninha. Foi fácil escrever a parte sobre continuar sofrendo. Saiu voando da minha caneta. Surpreendentemente, quando comecei a escrever as palavras "eu permaneço intacta", minha caneta parou de se mover. Foi realmente chocante ver quanta resistência eu sentia a escrever essas palavras especificas, a pronunciá-las alto para Gangaji. Era como se, ao dizê-las, eu estivesse negando toda a minha vida passada, as minhas vidas passadas, de sofrimento. Não só isso, mas eu teria que admitir, antecipadamente, que qualquer sofrimento que pudesse acontecer no futuro tampouco poderia me atingir. Porque, se eu permanecia intacta, quem estava sofrendo? Ocorreu-me que talvez eu tivesse investido demais neste eu inexistente, neste sofredor inexistente, em abandoná-lo. Eu não estava pronta. Eu escreveria outra coisa a Gangaji, ou não escreveria nada.

Então ouvi a sua voz claramente: "Simplesmente diga a verdade!" A pura verdade era que eu permanecia intocada por qualquer sofrimento pessoal, passado, presente, ou futuro. Assim eu ganhei coragem e contei a coisa do jeito que era, e um peso enorme foi aliviado.

Depois do retiro em Santa Helena, concluí que as bênçãos que recebera lá eram um resultado direto do silêncio. Então, é claro, quando cheguei a Crestone, no Colorado, para o meu segundo retiro de silêncio com Gangaji, eu já antecipava um encontro importante com o silêncio.

Em Crestone, eu estava cercada de montanhas cobertas de neve, um céu de um azul intenso, uma sinfonia de nuvens, as árvores, a terra deserta, e uma consciência do espaço. Em vez de me hospedar no local do retiro, onde poderia simplesmente atravessar a estrada para ir ao restaurante e ao salão dos satsangs, decidi montar uma barraca em um acampamento que ficava a uns cinco quilômetros de distância, uma caminhada cheia de subidas e descidas. Ainda em casa, tinha considerado meus apetrechos de acampamento cuidadosamente; tinha praticado armar minha barraca no gramado em frente à nossa casa. Mas, depois de uma noite completamente insone em meu colchão inflável que se esvaziava cada vez mais, decidi que acampar, pelo menos a uma altitude de 2.500 metros, nestas circunstâncias, não era para mim.

Felizmente, pude alugar uma tenda fixa de um homem que estava no retiro, por um preço módico. Naquela noite, a temperatura baixou até 1 grau centígrado e, embora estivesse usando várias camadas de roupas e deitada debaixo de vários cobertores, meu nariz estava frio demais para eu conseguir pegar no sono.

Em seguida, dei um jeito de mudar para um apartamento pequeno na mesma propriedade. Tudo isso envolveu um bocado de atividade, muita mudança, e muita conversa. Acrescente-se a isto uma viagem até um templo hindu, com um amigo que não parecia ter qualquer idéia de que o retiro era em silêncio, e você pode ver que a minha expectativa de que o retiro seria de um silêncio externo perfeito, que apoiaria minha quietude interna, estava se mostrando estar incorreta.

Fiquei surpresa e achei divertido ver que as coisas não estavam se desenrolando como eu esperava. Não obstante, estava me divertindo a valer e jamais poderia esperar ter uma experiência mais linda. Eu estava fisicamente perto de Gangaji, assistindo a dois satsangs por dia com ela. Um privilégio sem igual. Eu estava em um lugar sagrado e muito especial. No satsang no domingo de manhã, tive a grande sorte de falar com Gangaji. Eu estava sendo dissolvida pela graça.

Hoje é domingo, 25 de maio, e este é o terceiro satsang do Retiro de Crestone. Estou sentada no chão e sei que hoje vou levantar a mão. Sei até mesmo que serei chamada. Pretendo descrever para Gangaji a experiência de "despertar" que tive em Berkeley. Pergunto-a mim mesma por que este encontro é tão importante para mim, mas não sei a resposta.

O tempo que passo aguardando ser chamada por Gangaji é intenso, e provoca uma mudança em minha vida. É um tempo carregado energeticamente. Enquanto as duas primeiras pessoas falam, imagino como será quando eu estiver lá em cima. Como vou me comportar? Será que vou parecer inteligente? Iluminada? Completamente ridícula? Tenho medo de que as pessoas terão inveja das minhas experiências e não gostarão de mim. Esta é a primeira vez que vou falar com Gangaji em um satsang grande. Sei que a excitação de ser o centro das atenções e o medo de me expor não têm importância.

"Simplesmente seja fiel à verdade", digo a mim mesma. Repito estas palavras freqüentemente. Sempre que começo a imaginar o que poderá acontecer quando eu estiver no palco, com o coração palpitando, retorno àquelas palavras: "Simplesmente seja fiel à verdade, e se renda."

Agora estou sentada com ela. Com a nova disposição no palco, com duas cadeiras uma próxima da outra, é como estar na sala de estar de Gangaji. Estou muito feliz de estar com ela, ser vista por ela, e vê-la. Ficamos de mãos dadas por um bom tempo. Oceanos de amor e reconhecimento. Não consigo parar de sorrir.

Eu:
Bem, eu tive uma experiência há mais ou menos um mês e acho que preciso contá-la e depois você me diz... Nem que seja só para contá-la e esquecê-la, tudo bem, mas ela tem que ser contada.

Gangaji:
Ótimo. Não posso negar isso.

Eu:
Aconteceu em duas manhãs seguidas: eu acordei de manhã e foi como se eu estivesse saindo do sono e sendo ligada em uma tomada, como se fosse uma coisa mecânica, e então eu estava acordada.


Estou tentando fazer os gestos de um brinquedo mecânico e não faço a menor idéia se os pequenos movimentos abruptos das mãos e as contorções faciais que estou fazendo estão comunicando o que eu quero expressar.

Continuo, sem saber se as minhas palavras estão sequer comunicando isso. "Os pensamentos e tudo mais, sabe, simplesmente começaram a acontecer. E então eu acordei novamente." Quando Gangaji responde com um "Ah!" espontâneo, sei que ela está me entendendo e me incentivando a continuar.

Eu:
E então despertei de novo. Despertei! E eu nem mesmo estava presente. É difícil de falar, mas eu só quero falar sobre isso.

Gangaji:
Sim, eu quero que você fale.

Eu:
É como se as coisas estivessem ao redor de mim, e nós éramos todos a mesma coisa.

Gangaji:
Nós, coisas?

Eu:
Nós, coisas, éramos todos o mesmo.

Gangaji:
Sim.

Eu:
E se podia ver o espaço entre as coisas, que não estava exatamente entre elas, porque o espaço e as coisas eram todos o mesmo. Completamente. E eu... Meu primeiro pensamento foi que eu não existia, e meu segundo pensamento foi que eu sabia que era isso que eu era. Era isso que eu era. Completamente.

E tudo mais simplesmente não existia... Sabe, simplesmente não existia... Tudo o que você pensa, não existe.


Ouço pessoas rindo no salão. Acho este negócio de conversar com Gangaji no palco muito agradável. Meus olhos se fecham para eu poder retornar à sensação. "E eu sabia que eu não tinha começo nem fim, e que eu era o todo. E queria lhe agradecer por isso." Gangaji recusa com um gesto, e ficamos rindo, e ouço risadas vindo de todos os lados.

Eu:
Só para... Eu sei que você vai dizer... Quero dizer eu senti... Senti tanto que isso estava acontecendo através da sua graça, senão por que isto aconteceria? Você tinha me dito no dia anterior...

Gangaji:
É verdade que você recebeu a transmissão. E a única maneira de esquecê-la é se você tentar se lembrar dela como uma coisa. Como um acontecimento. Se tentar fazer da experiência da totalidade do ser o ponto de referência para a memória.


Sei exatamente o que ela quer dizer porque tentei isso, e por isso estou rindo. Quando vê isto Gangaji diz: " Ótimo. Você já tentou isto. Isto é maturidade. Você já tentou e viu a sua inutilidade." Ela tem toda a razão, e novamente rio, em reconhecimento. Digo a ela que já tentei de tudo

Gangaji:
Isso é maturidade espiritual. "Já tentei de tudo." E agora, nada. Agora, a vigilância. A resolução. Viver sendo fiel à verdade. Como quer que ela se apresente. Qualquer que seja a experiência. Sim, estou profundamente feliz por você falar sobre isso, que isto tenha acontecido. Agora você sabe, por sua própria experiência, o que eu tento dizer inutilmente.

Eu:
Exato. Se há uma coisa que eu poderia dizer, ao falar disso com outra pessoa, é que isto não é uma metáfora. Eu achava que era... Mas não é uma metáfora.


Isto é recebido com risos calorosos, e sinto que Gangaji e eu nos entendemos perfeitamente, quando ela afirma claramente que "não é uma metáfora."

Quando o salão muito quieto, Gangaji me agradece de todo o coração e diz que sem receber não se pode dar, e eu lhe agradeço de todo o coração. Há algo muito sólido na maneira como ela olha para mim e diz: "Ótimo" e então eu desço da plataforma.

Enquanto me dirijo de volta ao meu lugar, há uma pausa muito longa. Os olhos de Gangaji estão fechados. Quando se abrem, ela diz: "Esta é a consciência de Ramana. A consciência daquilo que está vivo no âmago de todos os seres, e que se reconhece como ISSO. Não através de esforço, ou pela tentativa de se lembrar, ou fazer algo. Não indo em busca ou evitando alguma coisa. Simplesmente despertando enquanto se está acordado."

Quando retorno ao meu lugar no chão, sinto como se, de algum modo, Gangaji tivesse me libertado. A essas alturas, já tinha descoberto que não há nenhuma possibilidade de se aterrissar em lugar algum, mas eu previra que, ao contar o que estava acontecendo comigo, Gangaji daria um sentido a tudo aquilo. Em vez disso, estou queimando. Gangaji me acendeu. Desde o momento em que saí do lado dela, é como se houvesse fogos de artifício, uma explosão de reconhecimento depois da outra.

Não há mais espaço para a vozinha egocêntrica que diz: "Nossa! Ela disse que eu recebi a transmissão? Oba! Agora sim!" Como odeio a vozinha, empurro-a para debaixo da superfície da consciência. Não só isso, mas confundo este ato de repressão com vigilância.

Deitada de costas em meu quarto, aberta, quieta, com uma grande sensação de vivacidade, mergulho na experiência da totalidade mais profundamente. É tão incrivelmente próxima. Eu estou procurando cuidadosamente a separação entre o que está dentro de mim e o que está fora de mim, e não consigo encontrá-la. O que pensava que era importante não é importante.

O que pensava que era insignificante, porque sempre fora verdade e não exigia minha atenção para ser verdade, é o que eu estou examinando agora.

Vejo que há somente um campo. A idéia de que eu sou a parte que está dentro deste corpo, e não a parte que está fora deste corpo, é completamente absurda. Que tolice ter atribuído tanta importância à aparência da pele como um limite significativo. Que diferença meros fenômenos físicos como sangue, tecido, órgãos, ossos, podem fazer neste vasto oceano de consciência?

Tento encontrar o limite entre dentro e fora, o limite entre mim e o silêncio, o limite entre mim e o outro. Não há palavras. Não há tempo. EU SOU CONSCIÊNCIA ILIMITADA. Estou me dissolvendo em ondas de bem-aventurança. Uma ondulação em expansão constante. Imensa. Orgástica. Delicada. Sutílima.

Ao anoitecer, tenho o pensamento de que talvez seja realmente a bem-aventurança que eu quero, afinal de contas. Como posso organizar minha vida de modo a ter mais bem-aventurança? Mudar-me para a Índia? Achar uma caverna? Gangaji me preveniu sobre a bem-aventurança, a grande sedutora. Querer a bem-aventurança, querer qualquer coisa, só pode me afastar do auto-reconhecimento.

Quando o medo surge, o medo de perder o estado desperto, descobre-se que ele se baseia em falsos pressupostos. Como posso perder qualquer estado, quando todos os estados já estão aqui?

Noto que a palavra "eu" continua a surgir. E todavia não há nenhum "eu". Eu sou a iluminação. Sou a ignorância. Sou todas as coisas e todas as não coisas. Que problema se tornou esta palavra!

Toda a estrutura do meu sistema de crenças está desmoronando. Vejo que todas as minhas convicções se baseiam na falsa convicção de que o que está dentro do meu corpo está separado e é mais importante do que a totalidade de mim. A partir desta falsa convicção, eu construí um universo inteiro. Criei comparação, avaliação e julgamento. Penso em alguém que conheço, que sei que é ignorante. É como se fosse meu primeiro julgamento, e eu o vejo pelo que é realmente. Eu sou esse mesmo "alguém". Vejo que todas as rivalidades mentais são imaginárias. Agora que se soltou o laço mais apertado do nó da identificação equivocada (a identificação de mim mesma como sendo um corpo), tenho uma confiança renovada em que todos os laços relacionados a ele vão se soltar naturalmente na consciência. Aleluia! Agora eles podem simplesmente se desenrolar na imensa tela da consciência.

A caminho do salão de refeições, para o café da manhã, deleito-me com a presença das montanhas, das árvores, a luz e a sombra, o céu. Esta vida vibrante é infinita! Lembro-me de um velho medo de que, se eu superasse todos os meus apegos, a vida seria um tédio. Eu rio. Pela primeira vez, tenho um vislumbre da verdadeira possibilidade. Quando tudo é "eu mesma", o enfoque da minha atenção se amplia e inclui tudo, sem limitação. Eu sou apegada a tudo. A possibilidade de descoberta é infinita. A possibilidade de amor é infinita.

Dou uma outra boa risada quando entro na sala de jantar. Percebo que estou levemente embaraçada. Num instante, entendo a piada. Eu não sou ninguém, e este ninguém pensa que é alguém! Que bela peça estou pregando em mim mesma.

A sensação de ser inundada por reconhecimento continua. Um "aha!" depois do outro irrompe do silêncio desperto. "Aha! Vigilância não é aquela voz que censura meus pensamentos e me diz o que não pensar. Não. É simplesmente render-se à verdade de quem eu realmente sou, a cada momento."

Agora é terça-feira de manhã. Ao contrário de outros retiros silenciosos, neste haverá dois encontros nos quais todos os participantes do retiro conversarão uns com os outros. Eu me inscrevi para participar de um grupo chamado "Satsang na Vida Cotidiana". Muitas pessoas escolheram o mesmo grupo, tantas que nem vamos caber todos numa sala só. Fui designada para o Grupo dos Excedentes. Após dois dias de revelação, reluto em me dirigir à reunião. Em dialeto psicodélico, não quero "cortar o barato". Não sabendo se irei ou não, descubro a casa onde a reunião acontecerá, e então vou passear no bosque. E percebo que estou retornando à casa.

Quando entro na sala, vejo que esta não será uma reunião convencional. A discussão é sobre ir ou não a uma estação de águas térmicas local. Aparentemente, a noção de realmente discutir a questão do satsang na vida cotidiana já fora descartada.

Olho ao redor da sala. À minha esquerda, estão dois jovens de cabelos longos, Jimmy e Michael. Eu não tinha notado Jimmy antes, mas Michael falara com Gangaji em satsang no dia anterior. Ele tem um corpo grande e relaxado, um sorriso espontâneo, e me parece imaturo. À direita deles está Paldrom. Presente, modesta e sábia, ela trabalha na Satsang Foundation [Fundação Satsang] e talvez seja a facilitadora responsável pelo grupo. Carol é do sul. Com cabelos louros ondulados e um ar de sinceridade, ela me lembra Gangaji. Lelia é o meu verdadeiro amor. Quando olho em seus olhos claros e luminosos, afundo neles. Todos nós nos apresentamos, e percebo que me apresento excentricamente como "não". A conversa flui livremente. Três de nós falaram com Gangaji em satsang e descrevemos o encontro. Terapia de Satsang, como diz Carol. Quando falo, sinto que Jimmy e Michael estão zombando de mim. Jimmy me pergunta sobre a experiência que descrevi a Gangaji quando falamos no domingo e diz, descartando-a: "Ah, você ainda estava vendo objetos, portanto não foi uma experiência de nirvikalpa samadhi." Diz que já esteve naquele estado, ou algum outro estado com um nome em sânscrito que não conheço, durante vários dias.

Digo que foi importante para mim o fato de Gangaji ter me dito que eu tinha recebido a transmissão, e Jimmy sussurra para Michael que eu não podia ter acreditado que Gangaji estava falando sério quando disse isso. Será que eu não tinha visto aquele sorriso trapaceiro em seu rosto enquanto ela falava comigo? Quem era ela para transmitir o quê para quem?

Não posso acreditar no que está acontecendo. Eu não sabia o que esperar depois das ocorrências dos dois últimos dias. Eu seria possivelmente identificada como alguém que tinha se realizado e seria tratada com reverência, ou talvez ninguém notasse. Estava preparada para ambas as possibilidades. Mas não para isto. Olho para as mulheres. Nem Carol nem Paldrom parecem se lembrar da conversa que tive com Gangaji. Lelia diz que foi muito importante para ela. Diz que quando Gangaji e eu conversamos, ela viu faíscas de luz saindo de nossas cabeças e iluminando a sala.

Quando temos um intervalo para o almoço, não sei se voltarei para a reunião da tarde. Não quero admitir o que estou sentindo. Humilhação. Raiva. Quando penso em Jimmy, percebo que o detesto. Parece que há anos eu não tinha uma reação tão forte a alguém. Volto para o meu quarto e vou para a cama. No início, estou desesperada. Como posso estar num estado tão desprezível? Depois, abandono o desespero, apenas o suficiente para investigá-lo. Vejo que aquela emoção forte surgiu quando o pensamento de que eu era iluminada ou auto-realizada, ou pelo menos era melhor do que antes, fora desafiado. Eu paro. Tenho a sensação de que a contração está pairando sobre mim. Abro-me a ela.

Na verdade, eu tinha visto um sorrisinho no rosto de Gangaji quando conversamos, não tinha? Para mim, ela estava não apenas confirmando a transmissão, mas também comunicando de maneira não-verbal que ambas estávamos apenas jogando um jogo uma com a outra, o jogo de professor e aluno, de guru e discípulo. Ela estava me informando que a auto-importância que eu estava trazendo para este jogo era desnecessária. Mas naquela altura, eu não estava pronta para reconhecer isto. Aquele aspecto de mim que queria usar as experiências de iluminação para elevar a minha auto-imagem não queria ser desalojado.

Eu vinha notando um certo orgulho de proprietária em relação às experiências que estava tendo, e tinha esperanças de que, para lidar com ele, bastaria estar consciente dele. Mas este orgulho era recalcitrante. Ele tinha camadas. Por trás do orgulho estava o orgulho do orgulho. Este orgulho não significava que havia algo correto a meu respeito, algo de que me orgulhar, já que eu estava tendo que lidar com ele? Sem me mover, deixei toda a devassidão penetrar até o fundo.

Um sorriso enorme se abriu em meu rosto. É simplesmente engraçado demais para eu poder manter a minha seriedade. A astúcia da mente egóica! Gangaji tinha razão. A declaração de união com Deus é um convite a todos os velhos fantasmas para que saiam das trevas. Mas também é certo que eles vêm somente para serem liberados.

Quando volto ao grupo, à tarde, todo mundo me parece belo. O que eu percebera como sinal da imaturidade de Michael, agora vejo como uma brincadeira amável. Cada um de nós está desempenhando seu papel totalmente. Juntos, iniciamos em uma peregrinação aos centros espirituais em Crestone. Quando andamos ao redor de um pagode budista tibetano, seguimos no sentido horário, como prescrito, com exceção de Jimmy, que segue no sentido oposto. Ele é o coiote. Eu agradeço ao coiote, em meu coração, pelo rude despertar que recebi. Este tempo que passamos juntos é glorioso. O Grupo dos Excedentes está transbordando de amor.

No dia seguinte ao dia em que Gangaji e eu conversamos, Gangaji disse em satsang que mesmo este negócio de despertar, até mesmo este negócio de iluminação, existiam dentro da leela [jogo divino]. Eu estivera ponderando o que as suas palavras significavam, tentando compreendê-las, usando a minha idéia conceitual sobre a iluminação como o ponto de chegada. Agora elas fazem sentido perfeitamente. Tanto a experiência de despertar quanto a experiência de sofrimento são fenômenos que surgem da mesma fonte imutável. O desafio não é ter mais experiências de iluminação, por mais reveladoras que sejam. O desafio é permanecer quieto. Não se mover da quietude, que é naturalmente aberta e determinada, seja qual for a experiência.

Paldrom tinha me contado que uma vez havia dito a Gangaji que nada de extraordinário jamais acontecia com ela, e Gangaji disse que nada precisava acontecer, que ela já sabia. Foi importante ouvir isso. Pensei em uma querida amiga de satsang, que mora na minha cidade, que estava despertando para a verdade do seu ser. Ela também me dizia que em sua história não havia fogos de artifício.

Dois dias depois do Grupo dos Excedentes, na tarde de quinta-feira, há um satsang em que tantas pessoas levantam a mão para falar com Gangaji, que me faz pensar em um frenesi de alimentação. Fico muito contente quando Gangaji pede para Amber cantar. Toda vez que Amber parece ter terminado, Gangaji pede, com uma voz infantil adorável: "Mais?" Ela faz o mesmo com Dana. Em seguida, com Al e Yani. Até aparecer a quarta cantora, uma mulher chamada Kirtana, eu tinha concluído que não poderia haver nada melhor. A consciência do grupo está elevada.

Não reconheço Kirtana quando ela se aproxima da plataforma com seu violão. Tenho a impressão, por sua breve conversa com Gangaji, que a última vez em que haviam conversado fora perturbadora para Kirtana. A conversa delas não me prepara de forma alguma para a canção de abertura de Kirtana, que ela está cantando pela primeira vez para Gangaji. A sua voz sussurrante me convida a escutar cada palavra atentamente.

Antes do corpo
Antes da história
Antes do nome
Além da tentativa
Da mente de achar
Ou explicar
Antes da respiração
Além da sensação de prazer ou de dor
E após a morte
E após a morte
Eu existo.
(copyright 1997 Wild Dove Music)

Que beleza! Estou chocada. Sei mais profundamente agora como foi tolice pensar que o abençoado reconhecimento refletia algo sobre a minha pessoa. Quando o Satsang Cantado termina, coloco uma nota no quadro de avisos: "Estou completamente humilhada. Eu amo todo mundo aqui."

Quando me inscrevi no retiro, fiquei decepcionada ao descobrir que o tema seria "Uma vida vivida a serviço da verdade" e que o programa incluía algumas reuniões faladas. Eu pensava que um retiro deveria ser em silêncio. Ao confirmar a minha presença, percebi que dois satsangs listados no Calendário de Eventos tinham o mesmo título, e fiquei imaginando quem os conduziria. Estava receosa que fosse Maitri, a diretora da Satsang Foundation & Press [Fundação e Editora Satsang], ou um grupo de membros da diretoria. Eu esperava, porém, que fosse Gangaji. Seria uma pena perder dois satsangs formais com a Amada.

No começo da semana, quando nos reunimos para o primeiro desses dois satsangs, Maitri se senta na cadeira de Gangaji. Ela está radiante. Não sinto a sensação antecipada de decepção. Na verdade, há uma abertura. É emocionante vê-la. Maitri nos convida a responder ao chamado de servir que é inerente ao nosso encontro com Gangaji. Da mesma forma que Gangaji, ela nos assegura que as possibilidades são infinitas, e não há como prever de que forma cada indivíduo atenderá a este chamado.

Reconheço a existência deste chamado mais profundo. À medida que se desenrola o retiro, fico impressionada com a sua força. Enquanto isso, algo incrível acontece. Depois de décadas tentando alcançar a iluminação pessoal, descubro que já não estou mais tentando. Não estou pensando em quão iluminada eu sou, ou quão iluminada é qualquer outra pessoa. Este hábito, como mais tarde verei, está terminado.

Será possível que o fim do desejo de iluminação pessoal abra espaço para um desejo mais profundo, o desejo de servir? Não sei. Mas na quinta-feira, estou incendiada por ele. Estou pensando se há alguma arrogância na idéia de ser casada com a Verdade, porque agora sinto que quero somente ser a Serva da Verdade. Como acontece tão freqüentemente, Gangaji aborda exatamente esta questão no satsang seguinte.

"Estou falando do nível de compromisso que reconhece que, qualquer que seja o sentimento, qualquer que seja a experiência, existe um laço de amor verdadeiro entre a alma e Deus, entre você e a Verdade, com a qual sua vida está casada. Como esposa, como a esposa tradicional à moda antiga. Não como uma parceria fria, não como o líder, mas como a esposa. A esposa aguardando a oportunidade de servir, esperando que lhe digam o que fazer, aguardando para seguir uma ordem." Sim! Este é exatamente o relacionamento para o qual eu estou despertando.

Antes de deixar o retiro, ofereço-me à Fundação como voluntária, para fazer qualquer trabalho que possa ser feito à distância. Também decido comprar um computador, algo a que resistira durante anos, pensando que isso me dará a possibilidade de fazer mais. Que bênção para mim encontrar-me neste retiro em especial, com o tema de serviço. Quando deixei Crestone, minha vida se tornou uma simples prece consciente de que eu possa ser aproveitada. De fato, vejo agora, é por isso que estou escrevendo esta história.

Sou eternamente grata que esta prece perfeita, que existira o tempo todo, tenha finalmente me encontrado. Compreendo que, de algum modo inexplicável, não existe separação entre uma prece feita de todo coração, para que se possa servir à verdade, e a sua realização. Não existe separação entre a prece eterna, sua segura realização, este coração que explode e mim.

Roslyn Moore

http://www.gangaji.org/index.php?modules=content&op=portu8

As duas alternativas

1. A Vontade de Deus é a tua salvação. Como não teria Ele te dado os meios de achá-la? Se a Sua Vontade é que tu a tenhas, Ele tem que ter feito com que seja possível e fácil obtê-la. Os teus irmãos estão em todos os lugares. Tu não tens que ir buscar a salvação longe. Cada minuto e cada segundo te dá uma chance de salvar a ti mesmo. Não percas essas chances, não porque elas não retornarão, mas porque é desnecessário protelar a alegria. A Vontade de Deus para ti é a felicidade perfeita agora. É possível que não seja essa também a tua vontade? E é possível que não seja essa também a vontade dos teus irmãos?

2. Considera, então, que nesta vontade conjunta vós estais todos unidos e somente nisso. Pode existir desacordo acerca de qualquer outra coisa, mas não acerca disso. É, então, aí que habita a paz. E tu habitas em paz quando assim o decides. Entretanto, não podes habitar na paz a não ser que aceites a Expiação porque a Expiação é o caminho para a paz. A razão é muito simples e tão óbvia que freqüentemente não é vista. O ego tem medo do óbvio, já que a obviedade é a característica essencial da realidade. No entanto, tu não podes deixar de vê-la a não ser que não estejas olhando.

3. É perfeitamente óbvio que se o Espírito Santo olha com amor para tudo o que Ele percebe, Ele te olha com amor. A Sua avaliação de ti baseia-se no Seu conhecimento do que tu és, portanto, Ele te avalia verdadeiramente. E essa avaliação tem que estar na tua mente, porque Ele está. O ego também está na tua mente, porque tu o aceitaste lá. A sua avaliação de ti, no entanto, é exatamente oposta à do Espírito Santo, porque o ego não te ama. Ele não está ciente do que és e desconfia totalmente de tudo o que percebe porque as suas percepções são tão variáveis. O ego é, portanto, capaz de suspeita, na melhor das hipóteses, e de perversidade na pior. Esse é o seu escopo. Não pode ultrapassá-lo devido à sua incerteza. E não pode nunca ir além dela porque jamais pode estar certo.

4. Tu tens, então, duas avaliações conflitantes de ti mesmo na tua mente e elas não podem ser ambas verdadeiras. Tu ainda não te dás conta do quanto essas avaliações são completamente diferentes, porque ainda não compreendes quão elevada a percepção que o Espírito Santo tem de ti realmente é. Ele não é enganado por nada do que fazes, porque Ele nunca esquece o que és. O ego é enganado por tudo o que fazes, especialmente quando respondes ao Espírito Santo, porque nestas ocasiões a sua confusão aumenta. O ego, portanto, é particularmente capaz de atacar-te quando reages amorosamente, porque te avaliou como não sendo amoroso e tu estás indo contra o seu julgamento. O ego atacará os teus motivos logo que eles passem a estar claramente em desacordo com a sua percepção de ti. É aí que ele vai se deslocar abruptamente da suspeita para a perversidade, uma vez que a sua incerteza terá aumentado. Entretanto, com certeza é inútil atacar de volta. O que pode significar isso exceto que estás concordando com a avaliação que o ego faz do que tu és?

5. Se escolhes ver a ti mesmo como não sendo amoroso, não serás feliz. Estás te condenando e tens, portanto, que te considerares inadequado. Olharias para o ego em busca de ajuda para escapar de um sentimento de inadequação que ele produziu e tem que manter para existir? É possível escapares da sua avaliação de ti usando os seus métodos para manter esse retrato intacto?

6. Não podes avaliar um sistema insano de crenças estando dentro dele. Seu escopo exclui isso. Só podes ir além dele, olhar em retrospectiva de um ponto onde a sanidade exista e ver o contraste. Só através desse contraste é que a insanidade pode ser julgada como insana. Com a grandeza de Deus em ti, tens escolhido ser pequeno e lamentar a tua pequenez. Dentro do sistema que ditou essa escolha o lamento é inevitável. A tua pequenez é aceita gratuitamente nesse sistema e tu não perguntas "Quem decidiu que seja assim?" A pergunta é sem significado dentro do sistema de pensamento do ego, porque ela abriria ao questionamento todo o sistema.

7. Eu disse que o ego não sabe o que é uma pergunta real. Qualquer tipo de falta de conhecimento é sempre associado com uma recusa em conhecer e isso produz uma total falta de conhecimento simplesmente porque o conhecimento é total. Não questionar a tua pequenez é, por conseguinte, negar todo o conhecimento e manter intacto todo o sistema de pensamento do ego. Não podes reter parte de um sistema de pensamento, porque ele só pode ser questionado no seu fundamento. E isso tem que ser questionado de um ponto além do sistema, pois dentro dele o seu fundamento de fato se mantém. O Espírito Santo julga contra a realidade do sistema de pensamento do ego meramente porque Ele sabe que o seu fundamento não é verdadeiro. Portanto, nada que surja a partir dele significa coisa alguma. Ele julga cada uma das crenças que manténs em termos da origem que ela tem. Se vem de Deus, Ele sabe que é verdadeira. Se não vem, Ele sabe que é sem significado.

8. Sempre que questionares o teu próprio valor, dize:

O próprio Deus é incompleto sem mim.

Lembra-te disso quando o ego falar e assim tu não o ouvirás. A verdade a teu respeito é tão elevada que coisa alguma que não seja digna de Deus é digna de ti. Escolhe, pois, o que queres nestes termos e não aceites nada que não queiras oferecer a Deus como totalmente adequado para Ele. Tu não queres nenhuma outra coisa. Devolve a tua parte a Deus e Ele te dará tudo de Si Mesmo em troca da devolução do que pertence a Ele e O torna completo.

~ Um Curso em Milagres, cap. VII

domingo, 15 de maio de 2011

Das Vantagens de Ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

~ Clarice Lispector

terça-feira, 3 de maio de 2011

Zen e Meditação

Zen significa meditação

Atenção, disciplina, relaxamento, tudo isso reforça a volta da sua atenção à sua mente.

Concentração não é meditação porque concentração é uma propriedade da mente e meditação é um caminho para nos ajudar a sermos um observador da mente.

Em sânscrito meditação é dhyana. Todas as traduções do termo dhyana tiveram dificuldades, por exemplo, quando os monges budistas chegaram na China, eles não puderam encontrar a palavra correta para traduzir para o Chinês, então eles escreveram dhyana, que para os chineses soava como zana. E ainda, o japonês ‘Zen’ é uma transfiguração da palavra dhyana.

No ocidente, Meditação promove uma idéia que facilmente pode ser confundida, como se você estivesse meditando sobre alguma coisa. Meditar sobre alguma coisa é uma atividade, não muito diferente da concentração - está sempre relacionado com alguma coisa. O que dhyana diz, é sobre deixar qualquer coisa na qual você possa concentrar-se, contemplar ou meditar. É abandonar tudo. Nada sobra – somente aquele ser que estava se concentrando ou contemplando. Existem métodos para ajudar nisso.

Entretanto, reforçando, treinar a mente para a concentração é inútil porque ela prossegue revoltando-se, ela continuará caindo de volta para seus velhos hábitos. Você a puxa de volta novamente, e ela escapa. Você a traz de novo para o assunto o qual estava se concentrando e subitamente descobre que está pensando em outra coisa - você esqueceu sobre o que estava se concentrando. Isso não é uma tarefa fácil. Ser apenas um observador dela, porém, é uma coisa bem simples... Tudo que você precisa fazer é observar. Seja o que for que esteja acontecendo em sua mente, não interfira, não tente pará-la.

Não faça coisa alguma. Apenas observe. Observar não é um fazer. Assim como você observa o pôr do sol ou as nuvens no céu, observe o tráfego de pensamentos: relevante, irrelevante, consistente, inconsistente, qualquer coisa que esteja ocorrendo. Você simplesmente observa, mas não se preocupa com nada. Seja observador. Nada é da sua conta: se for ambição que estiver passando, deixe-a passar; se for raiva passando, deixe-a passar. Se for alegria ou amor, continue a deixar passar. Não interfira, não julgue. São apenas pensamentos passando. Deixe-os passar e apenas observe.

Essa é uma simples metodologia de observar a mente, onde você "não tem nada a ver com isso"... Abandone a obrigação de saber qualquer coisa sobre o que você observa. Você verá o que está errado, onde alguma coisa está errada, mas você permanece separado. Apenas fazendo e treinando isso, um dia, subitamente, você será capaz de observar sua mente sem julgá-la – esse procedimento traz a quietude.

Muitas vezes você irá fracassar, mas isso não deve preocupá-lo... Não há nenhuma perda, isso é natural. No entanto, uma vez que tenha sentido paz, por menor que tenha sido o tempo de duração, uma vez que você tenha, mesmo por um único momento, se tornado o observador, você então saberá como se tornar o observador!

Meditação, portanto, é simplesmente observação, consciência. E isso apenas revela - não inventa nada. Você encontra a quietude... Uma vez nesse espaço, sua mente sai renovada, atenta. Você continuará a viver no mesmo mundo, mas não do mesmo modo. Você estará entre as mesmas pessoas, mas não com a mesma atitude, não com a mesma abordagem.

Você irá viver como um lótus na água: dentro d'água, porém absolutamente intocado pela água.

Osho

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Compaixão por Si Mesmo

"Compaixão por si mesmo"
Uma mensagem de Saint Germain
Por Dan Bennack e Alexandra Mahlimay
26.10.2010
www.joyandclarity.com

Tradução: Ana Belo
anatbelo@hotmail.com

Pergunta: Querido Saint-Germain, poderíeis por favor falar acerca de ter compaixão por si mesmo? Preciso muito disso.

Saint-Germain: Meu querido, esta é na verdade uma parte muito importante da experiência humana. A compaixão é realmente uma lição tão fundamental que todos vós devíeis aprendê-la enquanto estais aqui na Terra. Ninguém está isento. Nem mesmo os Mestres.

Como podeis lembrar da transmissão de hoje, a compaixão ajuda a substituir os vossos medos pelo que amais profundamente em vós mesmos. Então, porque não começar por aqui? Eu sei que isto é algo que tendes vindo a pedir desde há algum tempo. Assim, Eu convido-vos a entrardes no espaço do vosso coração, e a passardes lá um momento em silêncio.

No espaço do vosso coração, podeis olhar para cada um dos medos que surjam. Observai-os, mas não vos identifiqueis com eles. Permanecei centrados no amor que flui de e dentro do coração; e, então, senti o que acontece convosco quando não colocais nenhum julgamento em vós por nenhuma situação de vida em que vos encontrais actualmente ou que haveis vivido anteriormente. Olhais para estes eventos unicamente através dos olhos compassivos do vosso coração, e permiti-vos experimentar o que quer que vos surja.

Vede, quando deixais ir qualquer julgamento que possais ter acerca de vós mesmos, então a vida que estais a viver torna-se um espaço aberto para receber o amor que flui para vós da vossa divindade, e para a vossa experiência humana.

O vosso corpo torna-se o Receptáculo Sagrado que recebe o Amor de Deus, Que Sois Vós. O corpo torna-se o Vaso Alquímico, do qual podeis ter ouvido falar; e então podem ocorrer dentro de vós as mais miraculosas transformações. A Alquimia, ao contrário da crença popular, tem primeiro e antes de tudo a ver com a transmutação da consciência.

Quando não colocais nenhum julgamento sobre vós ou sobre as vossas experiências de vida, então o vosso corpo, a vossa mente e o vosso coração podem receber sem impedimento a infinitude do Amor que é derramado directamente sobre vós – ungindo-vos com a mais Sagrada Bênção de todas.

Por favor, sintam-se encorajados a continuar o que estais a fazer, e confiai que as coisas estão a mover-se em direcção a experiências de maior alegria e amor na vossa vida. Vos sois profundamente amados.

EU SOU Saint-Germain

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