quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Desapego x Indiferença

As pessoas confundem desapego com indiferença. As duas coisas podem parecer bem próximas à primeira vista, mas são, em essência, o oposto. O desapego é mais difícil, enquanto a indiferença parece um caminho mais fácil e seguro.

O segredo é que a indiferença exclui. O desapego, ao contrário, inclui.

Quando Krishna fala para Arjuna sobre o desapego, ele pede também para que Arjuna ame seus amigos e inimigos do mesmo modo. É aqui que se encontra a diferença maior. O desapego ama. E ama tão incondicionalmente, que não vê diferença entre o mal e o bem, entre a distância e a proximidade – tudo ama, tudo crê, tudo suporta. O desapego é a inclusão do outro de forma tão plena que é capaz de amá-lo a despeito de quem quer que seja ou o que quer que faça – a despeito da distância que seja necessário manter. O desapego mantém o carinho pelo outro, e age para que a felicidade do outro seja garantida a despeito de sua própria. Na verdade, a felicidade do outro é a sua própria.

A indiferença é a exclusão do outro, a distância proposital daquilo que, de alguma forma, é desagradável ou doloroso. A indiferença é protetora, na medida em que priva o sujeito da trabalhosa tarefa de amar. E dos riscos de sofrer por amor, coisa maravilhosa para quem aceita vivê-lo. Na indiferença não há amor, ao contrário, há a sua recusa. O amor parece fácil, mas não é. O amor é tão ativo quanto a Criação. Por isso, a indiferença priva, exclui, mata a presença do outro que signifique as intempéries de amar. Por trás da indiferença, pode haver um medo terrível de sofrer, ou a vergonha, muitas vezes, de simplesmente ser sincero.

E é por isso que as pessoas confundem desapego com indiferença. Porque é mais fácil assim.

Ammabaghavan

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