01.01.2012
OM ASATO MA SAT GAMAYA TAMASO MA JYOTIR GAMAYA MRITYOR MA AMRITAM GAMAYA
Conduza-me da mentira para a verdade; da escuridão para a luz; da morte para a imortalidade.
Que em síntese significa: conduza-me da mentira para a verdade; do falso para o real.
Quando começa a questionar o que é falso e o que é real, você está começando a jornada em direção à autorrealização. Quando você começa a se perguntar verdadeiramente: “Quem sou eu? Quem habita este corpo?” Naturalmente você começará a identificar tudo o que não é você. Até que o Ser real se revele. Isto acontece assim, porque o falso está na superfície e o real está no núcleo.
É necessário remover camada após camada de autoengano, até que a verdade de quem é você, possa se revelar. Às vezes, isto ocorrerá em milhares de anos, e isto pode acontecer neste exato momento. Se isto acontece neste exato momento, é porque você já preparou o terreno anteriormente. Você já trabalhou seriamente para remover as capas de autoengano. Você identifica uma capa e se conscientiza de que este não é você; remove outra capa e se conscientiza novamente, até que todas as camadas sejam removidas e o sol comece a brilhar no seu coração. O sol da verdade; o sol do Átman inefável; o sol que é o símbolo daquele que é a vida única por trás da forma, dos corpos, dos nomes e das histórias. Há que se querer encontrar a verdade.
Até este momento da jornada evolutiva desta humanidade, essa vontade sincera de encontrar a verdade, só surge através do sofrimento. A entidade identificada com a ilusão vai, repetidas vezes, caindo no mesmo vale, repetindo os mesmos padrões destrutivos, até que chega uma hora em que ela se cansa de sofrer; até uma hora em que o cansaço do sofrimento se torna maior que o prazer que você sente com ele. Então, você começa esse movimento em direção ao real: “Quem sou eu? Quem habita este corpo? O que eu estou fazendo aqui? Para que eu vim? Por que eu nasci neste corpo? Qual é a razão desta existência?” Naturalmente, quem procura, acha… Se você bate na porta sinceramente, a porta se abre.
O principal elemento para esta realização é a vontade, porém, uma vontade sincera. Há que se ter disposição para receber a verdade, em todas as suas manifestações. Por exemplo, eu tenho dito que mais vale uma raiva verdadeira, do que um sorriso falso. Este encontro com a verdade começa com a retirada da máscara e a aceitação da realidade transitória do ‘eu’ inferior. Que não é ainda a verdade irrefutável, pois a verdade irrefutável é o que sobra quando você remove todas as crenças; conhecimentos emprestados; conceitos e preconceitos; toda a imaginação a respeito de quem é você e do que é a vida. Depois que todo este conhecimento emprestado cai, você tem acesso a esta verdade irrefutável que chamamos de Sachcha. Mas, até chegar nessa experiência de Sachcha, você acessa a realidade transitória do seu ‘eu’ menor, porque ele é mais você do que a sua máscara. Ele ainda não é a sua realidade final, mas é mais você do que a máscara.
Assim, vamos nos movendo da escuridão para a luz; do veneno para o néctar; da morte para a imortalidade. A morte é relativa ao corpo e à personalidade. O Eu real é imortal, não tem início nem fim – é a eterna presença. Quando se experiencia esta verdade, você se liberta do grande medo. O medo é devido à identificação com o que é finito. Este corpo é finito, mas Eu sou eterno. O corpo é o veículo como um carro que você aluga, quando chega numa cidade diferente. Quando você vai embora, você tem que devolver o carro. A locadora é este planeta que te empresta um corpo feito dela mesma e dos elementos que a constituem: terra, água, fogo, ar e éter. Quando chega a hora de devolver, os elementos se separam e cada qual volta para a sua fonte.
Se você é capaz de abrir os olhos, é devido a esta força que habita o corpo que aqui chamamos de Àtman, o Eu divino.
Quando cantamos: Conduza-me da ignorância para a verdade; da escuridão para a luz; da morte para a imortalidade, você está também cantando: “Conceda-me a Suprema experiência”, que é a identificação com o Eu divino. Ao mesmo tempo em que você canta e pede por esta experiência, você também faz o que for possível para se tornar vazio, para que o Supremo possa tocar a Sua melodia através de você.
Eu disse que esta experiência definitiva do real pode acontecer daqui a milhares de anos, mas também pode acontecer agora. Mas, para isto, você, com certeza, preparou o terreno. Eu estou me repetindo, porque eu vejo alguns impedindo a sua própria evolução através da ansiedade de querer logo estar num lugar diferente, e não se permitem receber os presentes que o momento presente tem para dar. Se você já teve algum contato de trabalho com a terra, você sabe que, para a terra produzir frutos, é necessário limpar o terreno, tirar todo o mato, os cupinzeiros, preparar e adubar a terra… E, então, plantar a semente, esperar a ação do sol, da chuva, do vento, remover as ervas daninhas que tentam atacar o broto que está para nascer… Até que, em algum momento, o fruto estará maduro. A experiência da verdade é o florescimento desse fruto.
Qual é a parte que lhe cabe?
Por exemplo:
Pergunta: Querido Prem Baba: você pode falar um pouco sobre o sentimento de desconforto, quando alguém olha nos nossos olhos por um tempo mais longo? De onde vem este medo de intimidade? Quando olho nos seus olhos sinto uma urgência forte em desviar o meu olhar. Por que isso acontece?
Prem Baba: Porque você está fugindo da verdade; porque você ainda precisa esconder alguma coisa. Você carrega alguma coisa da qual você se envergonha. O medo está protegendo uma vergonha – e a vergonha está protegendo alguma coisa que você não aceitou a respeito da sua história; algum aspecto dessa realidade transitória, que é a sua história. Este é o principal obstáculo para a intimidade. Intimidade invoca revelação; invoca desnudar-se (desnudar em um nível mais profundo).
Eu estou sempre pronto para receber a sua verdade. Eu sou uma ameaça para a sua mentira, assim como sou uma ameaça para esses núcleos de realidade transitória, que você precisa proteger. Isto se manifesta mais intensamente comigo, mas eu sei que isto se manifesta também em outros relacionamentos. O principal obstáculo para que haja intimidade em uma relação, é esse medo que o outro descubra o que você está querendo esconder, por que você se envergonha; por que você não aceitou. E, talvez, você nem saiba do que se envergonha, mas você só sabe que tem medo que o outro te veja.
Há que se ter disposição para se encarar: “Do que é que eu tenho vergonha? O que eu carrego comigo, que é tão feio e não posso deixar o outro ver?”
Algo que você considera feio. Lembre que estamos lidando com uma realidade transitória, um mundo criado a partir das informações vindas de fora. Quando você está identificado com o seu corpo, você é um mundo. Aqui existem centenas de mundos, que estão constantemente se chocando uns nos outros. Você vive em um mundo particular e, nesse mundo, você acredita que carrega algumas feiúras, que você teme que o outro veja. Quando a relação começa a se aproximar desse núcleo, você tem que arrumar um jeito de escapar. Você vai encontrar um jeito de encontrar um defeito no outro, ou qualquer motivo para sair correndo. Porque, se você continuar o movimento nessa mesma direção, tudo indica que entrará no centro do que você não aceitou ainda e se envergonha que é, muito provavelmente, um choque de humilhação. Porque esses choques são um subproduto da exclusão, do abandono e da rejeição. Tudo isto produz humilhação, comparação, julgamento…
Então, por que você precisa desviar o seu olhar? Porque você quer proteger o seu passado. Uma parte de você não quer mais isso, mas você ainda teme a revelação. Você teme se mostrar completamente, removendo todas as defesas. Não é simples se tornar tão vulnerável, porque você fica frágil como uma flor, mas é dessa fragilidade que nasce a verdadeira força. É dessa vulnerabilidade que nasce o real poder. Só quem tem esta disposição de se revelar, é que realmente pode manifestar o poder. Se você tem algo a esconder, você está em constante perigo, sempre se sentindo ameaçado, tendo que usar uma armadura. Você precisa fingir ser; precisa usar disfarces. Assim você não experiencia a liberdade, que somente a espontaneidade traz.
Neste estágio da jornada, eu o convido a tomar consciência das suas vergonhas. Do que você ainda se envergonha? O que você carrega que você se envergonha? Isto é precioso. Esta é a principal questão que te move para a verdade.
Durante este processo de autorrevelação que, às vezes, inclui se revelar para o outro; que envolve a derrubada das defesas, talvez isto cause algumas perturbações na sua vida; talvez perturbe o seu sono.
Pergunta: Desde que estou neste caminho, durmo somente algumas horas por noite. Às vezes, não durmo nada. Você pode falar um pouco sobre este caminho e o sono?
Prem Baba: Você está sendo reprogramado. Existem falanges e falanges de seres divinos reprogramando o seu sistema. Você está em cirurgia. Às vezes, isto acontece… Não se preocupe: isto passa. Quando passar, você vai dormir, de vez em quando. Porque eu mesmo, algumas vezes, passo dias sem dormir. Quando estou trabalhando profundamente, eu passo dez dias sem dormir, como em um retiro.
Pergunta: E dormir demais?
Prem Baba: Também pode fazer parte da sua reprogramação. Às vezes, é justamente o que você precisa. Você recebe somente aquilo que está precisando. É claro que, se você sentir que está muito cansado, sem energia, você pode solicitar alguma ajuda. Acupuntura, alguns tipos de massagem, e até mesmo algumas ervas podem ajudar nessa purificação. Mas, não se preocupe: você está neste trânsito da mentira para a verdade.
OM ASATO MA SAT GAMAYA TAMASO MA JYOTIR GAMAYA MRITYOR MA AMRITAM GAMAYA
Esta é uma poderosa oração, se você a faz intencionalmente.
Aqueles que, além da oração, estão firmemente empenhados neste processo de autorrevelação, através da autoinvestigação (como o grupo que está indo para o ABC da Espiritualidade), eu desejo a vocês um bom trabalho – Que você possa ser capaz de dar um passo em direção à verdade.
Alguém me perguntou sobre a importância da música no meu trabalho. Eu vou voltar neste assunto, mas agora eu quero somente dizer que a música é uma ponte para o Eterno. Eu uso a música para ajudar a aquietar a mente e favorecer a experiência da unidade, principalmente no esquema que eu posso oferecer: que é você estar na rua e vir para o satsang para se encontrar comigo. A música ajuda a acalmar a mente. Mas, não é só isso, se você se coloca inteiro nesse cantar, você ajuda a abrir os portais do infinito. Mas, para que isto aconteça, faz-se necessário que haja inteireza; que você cante com o coração. Eu volto neste assunto… Vamos cantar um pouco.
Abençoado seja cada um de vocês. Que tenhamos cada vez mais disposição de nos encontrarmos com a verdade.
Até o nosso próximo encontro.
NAMASTE
Prem Baba